Um escritor, como um cantor e um pintor, é sempre a voz de qualquer coisa que está latente nas pessoas. (António Lobo Antunes)

Fantoches (coelhos)Numa formação recente sobre livros acessíveis, três educadoras de infância falaram-nos da sua experiência de criação de livros com os alunos.
A melhor forma de gostar de livros é criá-los. Não a disseram assim, esta frase, mas poderiam tê-la dito. É o que parecem fazer com as crianças, partindo, como diz a citação, do que nelas está latente.

Cada livro que criam corresponde a um desafio externo ou interno, provocado pelas educadoras ou por um grupo de alunos ou "imposto" por um autor que visita a escola ou pela aproximação do dia da mãe ou do Dia de S. Valentim.

Uma formanda colocou a seguinte questão: "Como fazer para que participem TODOS os alunos?"
A resposta está na forma como criam cada livro. O envolvimento dos alunos, a integração dos materiais e competências necessários, a exploração em vários formatos e registos são uma lição sobre Desenho Universal na Aprendizagem. Na raiz de cada livro há

• uma história original escrita por todos

• uma lenga-lenga que foi adaptada

• uma história infantil complexa de um autor consagrado que foi simplificada

• uma história recriada usando apenas a premissa original (uma personagem que faz tudo ao contrário, um animal ao qual se junta outro em cada página,...)

• uma apresentação de imagens desconexas sem história

• uma "encomenda" a alunos que gostam de desenhar e que vão criar ilustrações para uma nova aventura da sala

Na criação do livro físico, cada aluno pode acrescentar pormenores, recortar desenhos, definir materiais, encontrar as penas, o tecido ou as pétalas para recriar uma flor, construir cada página como um arquitecto, colando texto, imagens e materiais, ou modelar em plasticina os halteres da mãe, forte como o aço, gira como uma fada e de tantas qualidades possuída que dão para muitos Alfabetos de mãe.

E, depois de criado o livro, é a vez de lê-lo de diferentes maneiras, deixando-se encantar com a voz da contadora/educadora ou com a utilização de fantoches, ou à roda, com a participação de cada um ou, quiçá, indo pelas salas e recontando as suas experiências e os seus primeiros passos de leitores/escritores. Dando voz à voz latente que têm dentro. E que certamente inicia o seu amor pelos livros e pela leitura.

Se quiser saber sobre Desenho Universal na Aprendizagem, visite o site do CAST ou um breve vídeo explicativo em português.

Para ver mais imagens dos livros criados, visite o álbum Livros com todos.

Aluno a usar actividade JClic num portátilDurante a avaliação de um aluno que iniciou o primeiro ciclo, a professora falou sobretudo da dificuldade em encontrar actividades que pudessem ajudar a colmatar as falhas na área da Matemática. Este aluno tem paralisia cerebral e é-lhe impossível usar a maioria dos materiais existentes na sala, privilegiando-se por isso o trabalho no computador. Para além de termos enviado um conjunto de recursos disponíveis online, decidimos também criar e adaptar outros.
As actividades no programa JClic que agora partilhamos foram traduzidas para auxiliar o aluno a conhecer os números do 0 ao 10. As actividades estão organizadas em oito níveis (primeiro os números até 3, depois os números até 4, e assim sucessivamente, até ao 10). Através destes exercícios, trabalha-se a identificação das quantidades, a ordenação e a escrita dos números, utilizando uma grande quantidade de imagens e tarefas diferentes.
O vídeo de demonstração das actividades Números de 0 a 10 demonstra uma parte dos exercícios disponíveis.

Se tiver o JClic instalado, pode descarregar o ficheiro e executar o Números de 0 a 10 no seu computador. Para  isso, clique em Actividade Jclic – Números de 0 a 10.

Para sugestões ou partilha das suas actividades, contacte-nos.

Aluno e professor medem a distância de uma bola vermelha ao jackRealiza-se no próximo dia 16 de Fevereiro, das 10h às 12h, nas instalações da EB1/JI Sacadura Cabral, na Amadora, uma formação sobre Boccia.

A formação está aberta a todos os professores interessados, principalmente da área de Educação Física. Para participar, inscreva-se através do endereço de correio electrónico desporto.juventude@cm-amadora.pt.

Sobre a importância do desporto adaptado na escola, pode ler-se um artigo na jovem revista Desporto e Atividade Física para Todos, da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência, sobre o Impacto da Semana Paralímpica nas Atitudes dos Alunos Face à inclusão. Este estudo conclui que a "Semana Paralímpica teve uma notória influência na formação de atitudes mais positivas dos alunos sem deficiência face à inclusão na aula de Educação Física."

Na Semana do Desporto Adaptado, organizada recentemente na Escola José Cardoso Pires os professores comentavam da mesma as mais-valias desta iniciativa para os alunos e a oportunidade de perceber melhor algumas modalidades paralímpicas e os atletas que as praticam.

O Boccia é uma modalidade paralímpica desde 1984. É jogado sobretudo por pessoas com paralisia cerebral, divididas em quatro classes. O Boccia baseia-se no jogo da petanca, muito popular em França mas com raízes na antiguidade clássica. O objectivo do Boccia é que o jogador ou equipa lance as seis bolas (azuis ou vermelhas) que tem à disposição para ficar o mais próximo possível do "jack", uma pequena bola branca que serve de alvo.

Portugal tem uma grande tradição no Boccia, com atletas medalhados ao mais alto nível.

Para saber mais, inscreva-se. A formação é gratuita.

 

2

Escultura (homem feito de letras metálicas) sentado em paisagem de neve com mar ao fundoTem início no próximo dia 4 de Fevereiro, em Coimbra, Lisboa e Porto, o Curso de Formação Formar + Inovar = Incluir para professores bibliotecários, equipas das bibliotecas e professores de educação especial. Esta formação é promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares no âmbito do Projecto Todos Juntos Podemos Ler.

Criar bibliotecas escolares inclusivas, que proporcionem reais oportunidades de leitura para todos os alunos, é talvez um dos maiores desafios colocado às bibliotecas que se pretendem assumir como espaço de excelência para o desenvolvimento da literacia e como garante da igualdade de oportunidades.

A atuação articulada da Rede de Bibliotecas Escolares, da Direção de Serviços de Educação Especial e Apoios Socioeducativos e do Plano Nacional de Leitura permitiu lançar o Projeto Todos Juntos Podemos Ler que procura dinamizar respostas ajustadas às exigências e às necessidades de todos os alunos, através da criação de projetos de leitura diversificados, que prevejam condições para a efetiva participação e preparação dos alunos com necessidades educativas especiais a par dos seus colegas.

Para cumprir este desafio, são de importância fundamental as tecnologias de apoio e, por isso, a formação terá como objectivo a exploração de ferramentas digitais que possam ajudar os professores na tarefa de ajudar todos os alunos a ler.

Como já aqui dissemos, o Tar Heel Reader é um espaço de criação e partilha de livros inclusivos e, neste contexto, mostramos mais dois livros em português. Um é sobre os principais deuses da mitologia grega e outro sobre o Inverno. Foram baseados em trabalhos do Hospital de Dona Estefânia e do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão.